“Chegou o tempo de penitência, de conversão e de salvação”. Esta belíssima antífona, pertencente ao Ofício Divino e recitada na oração das Nove Horas do tempo quaresmal, faz uma rápida síntese do significado deste período litúrgico.

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Em primeiro lugar, a Quaresma (do latim quadragésima) é tempo de penitência. Por que razão? Pelo fato de recordar os quarenta anos em que os filhos de Israel permaneceram no deserto, antes de serem admitidos à Terra Prometida. Foi este, com efeito, um tempo penitencial. Também, e principalmente, para nos lembrar do fato de Nosso Senhor Jesus Cristo, antes de dar início à Sua Vida Pública e fazer no deserto, quarenta dias de jejum e penitência, sendo inclusive tentado por Satanás. Eis por que a Santa Igreja instituiu tal tempo litúrgico: uma vez que ele abrange o espaço de tempo referente aos quarenta dias precedentes às celebrações pascais, purificar os fiéis através da oração e mortificação, para que estes possam celebrar dignamente o sublime Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Crucifixo, sede dos Arautos do Evangelho
Crucifixo, sede dos Arautos do Evangelho

Com que estado de espírito deve o fiel cumprir o dever de penitência proposto na Quaresma? Com o desejo de mudança de vida: eis por que a Quaresma é denominada, também, tempo de conversão. Realmente, não deve ser este tempo litúrgico um momento em que se façam somente penitências externas, sem uma autêntica busca de santidade. A penitência deve ser, sobretudo, uma procura interior da plenitude do amor a Deus; deve ter como base o desejo verdadeiro de extirpar os vícios e fazer nascer, pela ação da graça, as virtudes. É por isso que a Santa Igreja aconselha os fiéis a que, no período quaresmal, se dediquem de um modo especial – não que não tenham a obrigação de fazê-lo em outros tempos – à oração, à esmola e ao jejum. A oração tem como objetivo que o fiel reconheça sua contingência e implore o auxílio de Deus, o Qual, em Sua absoluta Bondade, lhe concederá as luzes e forças para que possa realizar as demais boas obras; a esmola, a fim de que o ser humano aprenda a usar com desprendimento dos bens materiais e a compadecer-se dos mais necessitados; e o jejum, para que o católico saiba utilizar-se com temperança daquilo que se refere à sua subsistência corporal e, também, com o fito de mortificar a concupiscência da carne, a qual é, muitas vezes, o principal obstáculo para que uma alma se aproxime de Deus.

Chegou o tempo de penitência, de conversão…” e de salvação. A salvação: esta é a finalidade última da penitência para a qual a Quaresma nos convida. De fato, é fazendo penitência, é, enfim, convertendo-nos que não somente participaremos condignamente das festividades pascais aqui nesta terra de exílio, mas, mais perfeitamente nos prepararemos para o Banquete Eterno das Núpcias do Cordeiro.

Rezemos à Santíssima Virgem Maria, que Ela neste tempo quaresmal, como Mãe de Misericórdia e Estrela do Mar, nos conceda força na penitência, uma autêntica conversão e nos conduza com toda segurança às principais celebrações de nossa fé que se avizinham, e, mais especialmente, ao porto da santidade e da salvação.

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Chegou o tempo de penitência, de conversão e de salvação

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