Certo dia, São Bento com alguns discípulos foi ao encontro de Santa Escolástica numa propriedade do mosteiro próxima da porta. Passaram o dia inteiro a rezar, conversar e louvar a Deus, somente à noite foram sentar à mesa para tomar a refeição.

Como o tempo foi passando, a monja rogou a seu irmão:

— Peço-te, que não me deixes esta noite, para podermos continuar falando até de manhã sobre as alegrias da vida no Céu.

Ao que São Bento respondeu:

— Que dizes, minha irmã? De modo algum posso passar a noite fora da minha cela!

Escolástica, ao ouvir a recusa do irmão, pôs sobre a mesa as mãos como em suplica, apoiou nelas a cabeça e, silenciosa, rezou o Senhor onipotente. Quando levantou a cabeça, rebentou uma grande tempestade, com tão fortes relâmpagos, trovões e aguaceiro, que nem São Bento nem os monges que haviam vindo em sua companhia puderam pôr um pé sequer para fora da porta!

O homem de Deus viu que não podia regressar ao mosteiro, então começou a lamentar-se:

— Que Deus onipotente te perdoe, minha irmã! Que foi que fizeste?

Santa Escolástica lhe respondeu:

— Eu lhe pedi irmão, e não quiseste me atender, então roguei a meu Deus e ele me ouviu! Agora, se lhe for possível, podes ir embora; despede-te de mim e volta para o mosteiro.

São Bento, que não quisera ficar ali espontaneamente, teve que ficar contra a vontade. Passaram a noite toda acordados, animando-se um ao outro com santas conversas sobre a vida espiritual.

Não nos admiremos que Santa Escolástica tenha tido mais poder do que ele: se, na verdade, como diz São João, Deus é amor (1Jo 4,8), com justíssima razão, teve mais poder aquela que mais amou.

Fonte: Liturgia das Horas

Veja:

Arautos do Evangelho

O Cerimonial dos Arautos do Evangelho

A Gota de Orvalho!

Um fatinho de Santa Escolástica
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